Não é o esporte que machuca, é a falta de preparo

14 de outubro de 2026

Toda semana chega alguém no meu consultório culpando o beach tennis pelo joelho que rompeu. Quase sempre, o beach tennis é inocente.


A lesão aconteceu jogando, é verdade. Mas não foi o esporte que a causou.

Se você começou uma atividade nova nos últimos anos, beach tennis, funcional, corrida, o que for, e carrega aquele receio de que "esse esporte machuca", este texto é pra você.

O que todo "esporte da moda" tem em comum

Já vi esse filme algumas vezes. Uns anos atrás, o vilão da vez era o CrossFit: "acaba com as articulações", diziam. Depois veio o beach tennis, e hoje é comum ouvir que ele "destrói o joelho".

O que esses esportes têm em comum não é o perigo. É a popularidade.

Quando uma atividade vira febre, milhares de pessoas começam a praticá-la ao mesmo tempo — e muitas delas sem nenhum preparo. É na areia, parece fácil, não exige a técnica de uma quadra de tênis. Então a pessoa simplesmente vai jogar.

É aí que aparece a onda de lesões. Não porque o esporte seja agressivo, mas porque o corpo chegou despreparado para ele.

Por que o preparo protege o joelho

Deixa eu explicar o que acontece por dentro, porque isso muda a forma como você enxerga o risco.

Os ligamentos estabilizam o joelho, mas quem protege esses ligamentos no dia a dia é a musculatura em volta — coxa, posterior, glúteo. Num giro brusco, numa freada, numa mudança de direção, é o músculo bem ativado que absorve parte da força e segura a articulação no lugar.

Num corpo preparado, o músculo contrai a tempo e freia o movimento perigoso. Num corpo despreparado, essa proteção não vem — e a força recai inteira sobre o ligamento, até o ponto em que ele pode romper.

O mesmo giro, na mesma areia, no mesmo domingo: num joelho preparado, não acontece nada; no despreparado, pode romper ligamento e menisco de uma vez só.

A diferença nunca esteve no esporte. Estava no preparo de quem jogou.

"Mas eu sou saudável — por que eu me machucaria?"

Essa frase eu ouço bastante, e ela esconde uma confusão comum: ser saudável não é a mesma coisa que estar preparado para um gesto específico.

Você pode ter uma vida ativa, subir escadas sem cansar, caminhar bastante — e ainda assim não ter a força e o controle que um giro em alta velocidade exige do joelho. São coisas diferentes. Preparo não é estar em forma no geral; é a musculatura certa responder na hora certa, no movimento certo.

E tem um detalhe traiçoeiro. A maioria das pessoas passa ilesa pelas primeiras partidas, e isso cria uma falsa sensação de segurança: "joguei três vezes e não senti nada, então é tranquilo". Na verdade, foi sorte de o movimento perigoso ainda não ter aparecido no ângulo exato. Quando ele aparece, o corpo despreparado não tem como responder.

Preparar o corpo é, no fundo, contratar esse seguro antes de precisar dele.

Isso não é achismo

A ideia de "se preparar antes de praticar" não é conselho de vovó. É uma das coisas mais bem estudadas da medicina esportiva.

Existem programas de aquecimento e fortalecimento, usados no futebol mundo afora, que combinam força, equilíbrio, agilidade e saltos com técnica. Em estudos com atletas, esses programas reduziram de forma expressiva as lesões de ligamento — inclusive as que acontecem sem contato nenhum, no puro movimento de girar e frear.

O melhor: boa parte disso não depende de academia cara nem de uma equipe multidisciplinar. Depende de constância.

O que fazer com isso na prática

Não estou pedindo para você parar de jogar. Muito pelo contrário — quero que você jogue por muitos anos. Só que com o corpo pronto para isso.

Três orientações, e nenhuma substitui uma avaliação individual:

  • Antes de abraçar um esporte novo, invista algumas semanas em fortalecer coxa, glúteo e posterior. É essa musculatura que blinda o joelho.
  • Trate o aquecimento como parte do jogo, não como enrolação. Alguns minutos de ativação e movimentos específicos mudam o risco da partida inteira.
  • Respeite a progressão. Se você ficou parado por anos, o corpo não volta ao ponto de antes em uma semana. Comece devagar e aumente aos poucos.

E some um quarto ponto, caso já exista dor, estalo com dor ou insegurança no joelho: procure um profissional antes de continuar. Sinal ignorado costuma cobrar caro.

No fim, a conta é simples

Nenhum esporte é vilão para quem chega preparado. E quase todo esporte cobra caro de quem chega no susto.

O preparo não tira a graça do jogo. Ele é o que te mantém em campo.

Quantas vezes você já começou uma atividade nova "no impulso", sem preparar o corpo antes?


Conteúdo educativo; não substitui a avaliação individual com o seu médico.

Dr. Rodrigo Nunes — Ortopedista e Traumatologista | Especialista em Cirurgia de Joelho | CRM [preencher]


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Em atletas, esse recurso tem ganhado destaque por proporcionar alívio sintomático rápido , permitindo a continuidade do treinamento , redução do uso de anti-inflamatórios e otimização da reabilitação funcional . 1. Fisiologia articular e degradação do ácido hialurônico O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo do tipo glicosaminoglicano naturalmente presente no líquido sinovial, onde atua como lubrificante , absorvedor de impacto e modulador da inflamação . Em condições de sobrecarga crônica, microtrauma repetitivo ou lesões condrais iniciais — frequentemente presentes em corredores, triatletas e esportistas de impacto — há degradação da matriz extracelular e do próprio AH endógeno. Isso reduz a viscosidade sinovial, aumenta o atrito entre as superfícies articulares e perpetua o ciclo de dor e inflamação¹. 2. Mecanismos de ação do AH exógeno A aplicação intra-articular de Orthovisc® — que contém ácido hialurônico de peso molecular intermediário (1.0–2.9 MDa) — tem múltiplos mecanismos de ação complementares: Reologia articular: restaura a viscosidade sinovial , facilitando o deslizamento entre superfícies articulares e reduzindo o atrito mecânico²; Efeito mecânico direto: o preenchimento do espaço articular com um agente viscoelástico reduz a pressão articular e melhora a absorção de impacto , com benefício imediato na dor; Modulação inflamatória: o AH interfere na sinalização de citocinas pró-inflamatórias como IL-1β , TNF-α e prostaglandinas, com ação semelhante a anti-inflamatórios locais³; Condroproteção: estudos in vitro e in vivo sugerem que o AH pode estimular a síntese de colágeno tipo II e proteoglicanos pelos condrócitos, ao mesmo tempo em que inibe metaloproteinases (MMPs), favorecendo a preservação da cartilagem articular⁴ ; Efeito sinovioprotetor: estimula a proliferação de sinoviócitos tipo B , promovendo produção endógena de novo AH e estabilização do microambiente sinovial⁵. Essa ação multimodal torna a viscossuplementação especialmente interessante em estágios iniciais de desgaste articular , nos quais o processo degenerativo ainda é parcialmente reversível ou passível de estabilização. 3. Vantagens específicas para a população atlética Em contraste com pacientes idosos ou com artrose avançada, os atletas geralmente apresentam: Cartilagem ainda preservada em parte, mas com lesões focais ou sobrecarga funcional repetitiva ; Maior exigência biomecânica das articulações envolvidas; Necessidade de recuperação rápida e retorno ao esporte em alto nível de exigência física. A viscossuplementação nesse grupo, portanto, deve ser compreendida não apenas como ferramenta de alívio sintomático, mas como uma estratégia integrativa de proteção articular . Sua utilização possibilita: Interrupção do ciclo dor–inibição muscular–instabilidade; Recuperação da função neuromuscular com melhor adesão à fisioterapia; Redução no uso de AINEs, que podem ter efeitos colaterais indesejados em longo prazo; Retorno seguro e progressivo às atividades esportivas, com menor risco de sobrecarga secundária. 4. Orthovisc®: características diferenciais Orthovisc® se destaca por apresentar: Alta pureza , sem adição de proteínas animais, minimizando risco de reações alérgicas; Concentração adequada (15 mg/mL) e volume de 2 mL por aplicação, permitindo uso em dose única ou regime seriado, conforme o quadro clínico; Perfil de viscosidade ideal para promover alívio mecânico sem causar excesso de distensão articular. Estudos clínicos demonstram sua eficácia na redução da dor, melhora funcional e segurança em pacientes com osteoartrite leve a moderada e lesões condrais⁶. Em atletas, ainda que os dados sejam limitados, experiências clínicas como o caso destacado nesta publicação reforçam sua aplicabilidade prática. Caso Clínico: Corredora de Meia Maratona com Condropatia Patelar Grau II Tratada com Viscossuplementação Perfil da paciente: Sexo feminino, 36 anos, corredora amadora de meia maratona há 5 anos, com volume semanal médio de 40–45 km em 4 sessões por semana. Participava regularmente de provas de 10 km e 21 km, com histórico prévio de boa tolerância a cargas crescentes de treino. História clínica: Início de dor anterior no joelho direito há cerca de 8 meses, com piora progressiva durante treinos de tiro e descidas. A dor limitava o aumento de volume e intensidade, e persistia mesmo após repouso. Foram tentadas intervenções conservadoras, incluindo analgesia oral, fisioterapia voltada para reequilíbrio muscular, liberação miofascial e treinamento excêntrico, com melhora parcial e recidiva ao retorno à corrida contínua. Exame físico: Eixo mecânico neutro ; Arco de movimento do joelho: 0°–135° , sem limitação; Crepitação patelar leve a moderada à mobilização ativa e passiva; Sem derrame articular ou sinais de sinovite; Dor referida à compressão patelar em flexão sustentada, sem instabilidade. Imagem: Ressonância magnética evidenciou condropatia patelar grau II (lesão condral parcial com amolecimento da cartilagem e irregularidade superficial) sem edema ósseo ou alterações significativas na tróclea. Conduta: Diante da refratariedade ao tratamento conservador isolado e da necessidade de retorno esportivo seguro, optou-se por realizar infiltração intra-articular única com 1 ampola de Orthovisc® (30 mg/2 mL) no joelho direito. Resposta clínica: Escala Visual Analógica (EVA) de dor reduziu de 6 para 1 em 14 dias; Ausência de efeitos adversos locais ou sistêmicos após o procedimento. Periodização do retorno ao esporte:
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Por drrpsnunes • 16 de setembro de 2025
A dor no joelho pode começar com um incômodo leve e evoluir para uma limitação importante no dia a dia. Quando essa dor é causada por artrose — o desgaste da cartilagem que recobre as articulações — é natural surgir a dúvida: será que é preciso operar? Ou ainda é possível controlar com tratamento clínico? Neste artigo, vamos explicar de forma clara e segura quais são as opções de tratamento para artrose no joelho, quando elas são indicadas e em que momento a cirurgia pode ser necessária. O que é artrose no joelho? A artrose é uma condição degenerativa que desgasta progressivamente a cartilagem do joelho. Com o tempo, esse desgaste pode causar dor, inchaço, rigidez e dificuldade para realizar atividades simples como subir escadas, caminhar ou levantar-se de uma cadeira.  Tratamento conservador: a primeira etapa do cuidado Na maioria dos casos, o tratamento começa com medidas não cirúrgicas, que podem incluir: Fisioterapia personalizada : Fortalece os músculos que sustentam o joelho e melhora a mobilidade; Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios : Ajudam a controlar a dor e o inchaço; Infiltrações intra-articulares : Aplicações de medicamentos diretamente no joelho, como ácido hialurônico ou corticoides, para alívio local dos sintomas; Mudanças no estilo de vida : Controle de peso, atividade física orientada e ajustes posturais podem ter grande impacto na evolução da dor. Esses tratamentos costumam trazer bons resultados em casos leves a moderados, e são fundamentais para retardar a progressão da doença. Quando a cirurgia é indicada? Apesar dos cuidados conservadores, há situações em que a dor e a limitação continuam afetando a qualidade de vida do paciente. Nestes casos, a cirurgia pode ser a melhor opção. As indicações mais comuns são: Dor intensa e persistente, mesmo com tratamento clínico adequado; Comprometimento importante da mobilidade; Deformidades no alinhamento do joelho (como o joelho varo ou valgo); Impacto significativo na rotina e no sono. O tipo de cirurgia varia conforme o grau da artrose e as características do paciente, podendo incluir desde procedimentos menos invasivos até a prótese total de joelho. A importância da avaliação individualizada Não existe um único caminho para tratar a artrose. Cada paciente tem um histórico, um nível de dor e uma expectativa diferente em relação ao tratamento. Por isso, a consulta com um especialista é fundamental para definir a conduta mais adequada. Dr. Rodrigo Nunes é cirurgião do joelho com mais de 20 anos de experiência, referência no cuidado com lesões e artrose, atuando tanto em tratamentos clínicos quanto cirúrgicos, com foco em recuperar a qualidade de vida dos seus pacientes. Se você sente dor no joelho e tem dúvidas sobre a melhor forma de tratar, o mais importante é não adiar a avaliação médica. O tratamento precoce pode evitar a progressão da artrose e trazer mais conforto e autonomia para sua rotina. Dr. Rodrigo Pereira da Silva Nunes - CRM/SP 105375 | CNRM Nº 67630-1