Por drrpsnunes
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8 de outubro de 2025
O Desafio Clínico no Atleta com Dor Articular Atletas de endurance, como corredores de meia maratona, estão particularmente sujeitos a sobrecarga articular crônica e lesões condrais , mesmo em idade jovem. A condropatia patelar, por exemplo, é uma causa frequente de dor anterior no joelho e pode limitar significativamente o desempenho esportivo e a aderência ao treinamento¹. Apesar da eficácia do tratamento conservador com fisioterapia, analgesia e controle de carga, muitos casos evoluem com resposta parcial ou insatisfatória . Nesses cenários, a viscossuplementação com ácido hialurônico (AH) desponta como uma ferramenta adjuvante segura e eficaz. O Papel da Viscossuplementação com Orthovisc® A viscossuplementação representa uma modalidade terapêutica que atua diretamente sobre a homeostase articular , restaurando propriedades reológicas do líquido sinovial e promovendo um ambiente mais favorável à biomecânica da articulação. Em atletas, esse recurso tem ganhado destaque por proporcionar alívio sintomático rápido , permitindo a continuidade do treinamento , redução do uso de anti-inflamatórios e otimização da reabilitação funcional . 1. Fisiologia articular e degradação do ácido hialurônico O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo do tipo glicosaminoglicano naturalmente presente no líquido sinovial, onde atua como lubrificante , absorvedor de impacto e modulador da inflamação . Em condições de sobrecarga crônica, microtrauma repetitivo ou lesões condrais iniciais — frequentemente presentes em corredores, triatletas e esportistas de impacto — há degradação da matriz extracelular e do próprio AH endógeno. Isso reduz a viscosidade sinovial, aumenta o atrito entre as superfícies articulares e perpetua o ciclo de dor e inflamação¹. 2. Mecanismos de ação do AH exógeno A aplicação intra-articular de Orthovisc® — que contém ácido hialurônico de peso molecular intermediário (1.0–2.9 MDa) — tem múltiplos mecanismos de ação complementares: Reologia articular: restaura a viscosidade sinovial , facilitando o deslizamento entre superfícies articulares e reduzindo o atrito mecânico²; Efeito mecânico direto: o preenchimento do espaço articular com um agente viscoelástico reduz a pressão articular e melhora a absorção de impacto , com benefício imediato na dor; Modulação inflamatória: o AH interfere na sinalização de citocinas pró-inflamatórias como IL-1β , TNF-α e prostaglandinas, com ação semelhante a anti-inflamatórios locais³; Condroproteção: estudos in vitro e in vivo sugerem que o AH pode estimular a síntese de colágeno tipo II e proteoglicanos pelos condrócitos, ao mesmo tempo em que inibe metaloproteinases (MMPs), favorecendo a preservação da cartilagem articular⁴ ; Efeito sinovioprotetor: estimula a proliferação de sinoviócitos tipo B , promovendo produção endógena de novo AH e estabilização do microambiente sinovial⁵. Essa ação multimodal torna a viscossuplementação especialmente interessante em estágios iniciais de desgaste articular , nos quais o processo degenerativo ainda é parcialmente reversível ou passível de estabilização. 3. Vantagens específicas para a população atlética Em contraste com pacientes idosos ou com artrose avançada, os atletas geralmente apresentam: Cartilagem ainda preservada em parte, mas com lesões focais ou sobrecarga funcional repetitiva ; Maior exigência biomecânica das articulações envolvidas; Necessidade de recuperação rápida e retorno ao esporte em alto nível de exigência física. A viscossuplementação nesse grupo, portanto, deve ser compreendida não apenas como ferramenta de alívio sintomático, mas como uma estratégia integrativa de proteção articular . Sua utilização possibilita: Interrupção do ciclo dor–inibição muscular–instabilidade; Recuperação da função neuromuscular com melhor adesão à fisioterapia; Redução no uso de AINEs, que podem ter efeitos colaterais indesejados em longo prazo; Retorno seguro e progressivo às atividades esportivas, com menor risco de sobrecarga secundária. 4. Orthovisc®: características diferenciais Orthovisc® se destaca por apresentar: Alta pureza , sem adição de proteínas animais, minimizando risco de reações alérgicas; Concentração adequada (15 mg/mL) e volume de 2 mL por aplicação, permitindo uso em dose única ou regime seriado, conforme o quadro clínico; Perfil de viscosidade ideal para promover alívio mecânico sem causar excesso de distensão articular. Estudos clínicos demonstram sua eficácia na redução da dor, melhora funcional e segurança em pacientes com osteoartrite leve a moderada e lesões condrais⁶. Em atletas, ainda que os dados sejam limitados, experiências clínicas como o caso destacado nesta publicação reforçam sua aplicabilidade prática. Caso Clínico: Corredora de Meia Maratona com Condropatia Patelar Grau II Tratada com Viscossuplementação Perfil da paciente: Sexo feminino, 36 anos, corredora amadora de meia maratona há 5 anos, com volume semanal médio de 40–45 km em 4 sessões por semana. Participava regularmente de provas de 10 km e 21 km, com histórico prévio de boa tolerância a cargas crescentes de treino. História clínica: Início de dor anterior no joelho direito há cerca de 8 meses, com piora progressiva durante treinos de tiro e descidas. A dor limitava o aumento de volume e intensidade, e persistia mesmo após repouso. Foram tentadas intervenções conservadoras, incluindo analgesia oral, fisioterapia voltada para reequilíbrio muscular, liberação miofascial e treinamento excêntrico, com melhora parcial e recidiva ao retorno à corrida contínua. Exame físico: Eixo mecânico neutro ; Arco de movimento do joelho: 0°–135° , sem limitação; Crepitação patelar leve a moderada à mobilização ativa e passiva; Sem derrame articular ou sinais de sinovite; Dor referida à compressão patelar em flexão sustentada, sem instabilidade. Imagem: Ressonância magnética evidenciou condropatia patelar grau II (lesão condral parcial com amolecimento da cartilagem e irregularidade superficial) sem edema ósseo ou alterações significativas na tróclea. Conduta: Diante da refratariedade ao tratamento conservador isolado e da necessidade de retorno esportivo seguro, optou-se por realizar infiltração intra-articular única com 1 ampola de Orthovisc® (30 mg/2 mL) no joelho direito. Resposta clínica: Escala Visual Analógica (EVA) de dor reduziu de 6 para 1 em 14 dias; Ausência de efeitos adversos locais ou sistêmicos após o procedimento. Periodização do retorno ao esporte: