Artrose no joelho: quando iniciar o tratamento conservador e quando considerar a cirurgia

drrpsnunes • 16 de setembro de 2025

  A dor no joelho pode começar com um incômodo leve e evoluir para uma limitação importante no dia a dia. Quando essa dor é causada por artrose — o desgaste da cartilagem que recobre as articulações — é natural surgir a dúvida: será que é preciso operar? Ou ainda é possível controlar com tratamento clínico?

Neste artigo, vamos explicar de forma clara e segura quais são as opções de tratamento para artrose no joelho, quando elas são indicadas e em que momento a cirurgia pode ser necessária.


    O que é artrose no joelho?

A artrose é uma condição degenerativa que desgasta progressivamente a cartilagem do joelho. Com o tempo, esse desgaste pode causar dor, inchaço, rigidez e dificuldade para realizar atividades simples como subir escadas, caminhar ou levantar-se de uma cadeira.




Tratamento conservador: a primeira etapa do cuidado

Na maioria dos casos, o tratamento começa com medidas não cirúrgicas, que podem incluir:

  • Fisioterapia personalizada: Fortalece os músculos que sustentam o joelho e melhora a mobilidade;
  • Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios: Ajudam a controlar a dor e o inchaço;
  • Infiltrações intra-articulares: Aplicações de medicamentos diretamente no joelho, como ácido hialurônico ou corticoides, para alívio local dos sintomas;
  • Mudanças no estilo de vida: Controle de peso, atividade física orientada e ajustes posturais podem ter grande impacto na evolução da dor.

Esses tratamentos costumam trazer bons resultados em casos leves a moderados, e são fundamentais para retardar a progressão da doença.


Quando a cirurgia é indicada?

Apesar dos cuidados conservadores, há situações em que a dor e a limitação continuam afetando a qualidade de vida do paciente. Nestes casos, a cirurgia pode ser a melhor opção.

As indicações mais comuns são:

  • Dor intensa e persistente, mesmo com tratamento clínico adequado;
  • Comprometimento importante da mobilidade;
  • Deformidades no alinhamento do joelho (como o joelho varo ou valgo);
  • Impacto significativo na rotina e no sono.

O tipo de cirurgia varia conforme o grau da artrose e as características do paciente, podendo incluir desde procedimentos menos invasivos até a prótese total de joelho.


A importância da avaliação individualizada

Não existe um único caminho para tratar a artrose. Cada paciente tem um histórico, um nível de dor e uma expectativa diferente em relação ao tratamento. Por isso, a consulta com um especialista é fundamental para definir a conduta mais adequada.

    Dr. Rodrigo Nunes é cirurgião do joelho com mais de 20 anos de experiência, referência no cuidado com lesões e artrose, atuando tanto em tratamentos clínicos quanto cirúrgicos, com foco em recuperar a qualidade de vida dos seus pacientes.

Se você sente dor no joelho e tem dúvidas sobre a melhor forma de tratar, o mais importante é não adiar a avaliação médica. O tratamento precoce pode evitar a progressão da artrose e trazer mais conforto e autonomia para sua rotina.


Dr. Rodrigo Pereira da Silva Nunes - CRM/SP 105375 | CNRM Nº 67630-1


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Em atletas, esse recurso tem ganhado destaque por proporcionar alívio sintomático rápido , permitindo a continuidade do treinamento , redução do uso de anti-inflamatórios e otimização da reabilitação funcional . 1. Fisiologia articular e degradação do ácido hialurônico O ácido hialurônico (AH) é um polissacarídeo do tipo glicosaminoglicano naturalmente presente no líquido sinovial, onde atua como lubrificante , absorvedor de impacto e modulador da inflamação . Em condições de sobrecarga crônica, microtrauma repetitivo ou lesões condrais iniciais — frequentemente presentes em corredores, triatletas e esportistas de impacto — há degradação da matriz extracelular e do próprio AH endógeno. Isso reduz a viscosidade sinovial, aumenta o atrito entre as superfícies articulares e perpetua o ciclo de dor e inflamação¹. 2. Mecanismos de ação do AH exógeno A aplicação intra-articular de Orthovisc® — que contém ácido hialurônico de peso molecular intermediário (1.0–2.9 MDa) — tem múltiplos mecanismos de ação complementares: Reologia articular: restaura a viscosidade sinovial , facilitando o deslizamento entre superfícies articulares e reduzindo o atrito mecânico²; Efeito mecânico direto: o preenchimento do espaço articular com um agente viscoelástico reduz a pressão articular e melhora a absorção de impacto , com benefício imediato na dor; Modulação inflamatória: o AH interfere na sinalização de citocinas pró-inflamatórias como IL-1β , TNF-α e prostaglandinas, com ação semelhante a anti-inflamatórios locais³; Condroproteção: estudos in vitro e in vivo sugerem que o AH pode estimular a síntese de colágeno tipo II e proteoglicanos pelos condrócitos, ao mesmo tempo em que inibe metaloproteinases (MMPs), favorecendo a preservação da cartilagem articular⁴ ; Efeito sinovioprotetor: estimula a proliferação de sinoviócitos tipo B , promovendo produção endógena de novo AH e estabilização do microambiente sinovial⁵. Essa ação multimodal torna a viscossuplementação especialmente interessante em estágios iniciais de desgaste articular , nos quais o processo degenerativo ainda é parcialmente reversível ou passível de estabilização. 3. Vantagens específicas para a população atlética Em contraste com pacientes idosos ou com artrose avançada, os atletas geralmente apresentam: Cartilagem ainda preservada em parte, mas com lesões focais ou sobrecarga funcional repetitiva ; Maior exigência biomecânica das articulações envolvidas; Necessidade de recuperação rápida e retorno ao esporte em alto nível de exigência física. A viscossuplementação nesse grupo, portanto, deve ser compreendida não apenas como ferramenta de alívio sintomático, mas como uma estratégia integrativa de proteção articular . Sua utilização possibilita: Interrupção do ciclo dor–inibição muscular–instabilidade; Recuperação da função neuromuscular com melhor adesão à fisioterapia; Redução no uso de AINEs, que podem ter efeitos colaterais indesejados em longo prazo; Retorno seguro e progressivo às atividades esportivas, com menor risco de sobrecarga secundária. 4. Orthovisc®: características diferenciais Orthovisc® se destaca por apresentar: Alta pureza , sem adição de proteínas animais, minimizando risco de reações alérgicas; Concentração adequada (15 mg/mL) e volume de 2 mL por aplicação, permitindo uso em dose única ou regime seriado, conforme o quadro clínico; Perfil de viscosidade ideal para promover alívio mecânico sem causar excesso de distensão articular. Estudos clínicos demonstram sua eficácia na redução da dor, melhora funcional e segurança em pacientes com osteoartrite leve a moderada e lesões condrais⁶. Em atletas, ainda que os dados sejam limitados, experiências clínicas como o caso destacado nesta publicação reforçam sua aplicabilidade prática. Caso Clínico: Corredora de Meia Maratona com Condropatia Patelar Grau II Tratada com Viscossuplementação Perfil da paciente: Sexo feminino, 36 anos, corredora amadora de meia maratona há 5 anos, com volume semanal médio de 40–45 km em 4 sessões por semana. Participava regularmente de provas de 10 km e 21 km, com histórico prévio de boa tolerância a cargas crescentes de treino. História clínica: Início de dor anterior no joelho direito há cerca de 8 meses, com piora progressiva durante treinos de tiro e descidas. A dor limitava o aumento de volume e intensidade, e persistia mesmo após repouso. Foram tentadas intervenções conservadoras, incluindo analgesia oral, fisioterapia voltada para reequilíbrio muscular, liberação miofascial e treinamento excêntrico, com melhora parcial e recidiva ao retorno à corrida contínua. Exame físico: Eixo mecânico neutro ; Arco de movimento do joelho: 0°–135° , sem limitação; Crepitação patelar leve a moderada à mobilização ativa e passiva; Sem derrame articular ou sinais de sinovite; Dor referida à compressão patelar em flexão sustentada, sem instabilidade. Imagem: Ressonância magnética evidenciou condropatia patelar grau II (lesão condral parcial com amolecimento da cartilagem e irregularidade superficial) sem edema ósseo ou alterações significativas na tróclea. Conduta: Diante da refratariedade ao tratamento conservador isolado e da necessidade de retorno esportivo seguro, optou-se por realizar infiltração intra-articular única com 1 ampola de Orthovisc® (30 mg/2 mL) no joelho direito. Resposta clínica: Escala Visual Analógica (EVA) de dor reduziu de 6 para 1 em 14 dias; Ausência de efeitos adversos locais ou sistêmicos após o procedimento. Periodização do retorno ao esporte:
Por drrpsnunes 30 de setembro de 2025
O Impacto da Artrose na Qualidade de Vida : A artrose do joelho, também conhecida como gonartrose , é uma das formas mais prevalentes de osteoartrite e representa uma das principais causas de dor, incapacidade funcional e limitação da mobilidade em adultos e idosos. Trata-se de uma doença degenerativa crônica que afeta a cartilagem articular, provocando um processo inflamatório progressivo e comprometendo a estrutura da articulação como um todo — incluindo os ossos subcondrais, meniscos, ligamentos e músculos periarticulares. O i mpacto da artrose na qualidade de vida é profundo e multifatorial. A dor, geralmente de início insidioso e agravada por atividades d e carga, compromete a capacidade de caminhar, subir escadas, permanecer em pé por longos períodos e até mesmo realizar tarefas simples do dia a dia. A rigidez matinal e a sensação de instabilidade do joelho são sintomas comuns que contribuem para a perda de confiança nos movimentos, levando à redução da atividade física e ao isolamento social. Com o avanço da doença, os pacientes tendem a desenvolver limitação de amplitude de movimento, deformidades angulares (como o joelho varo ou valgo), e atrofia muscular, o que agrava ainda mais a perda funcional. Essa cascata leva ao sedentarismo, ganho de peso, piora da saúde cardiovascular e metabólica, além de um impacto negativo na saúde mental, com aumento dos índices de depressão e ansiedade. O manejo da artrose do joelho deve ser multidisciplinar, englobando medidas conservadoras como fisioterapia, controle de peso, fortalecimento muscular e uso de medicamentos, além de tratamentos intervencionistas e, nos casos mais avançados, a cirurgia de artroplastia total do joelho Prótese Robótica do Joelho: Inovação a Serviço da Precisão e Recuperação A artroplastia total do joelho é uma das cirurgias ortopédicas mais realizadas no mundo, com excelentes resultados em termos de alívio da dor e restauração da função em pacientes com osteoartrite avançada. Nos últimos anos, a introdução da robótica na cirurgia de joelho tem representado um avanço significativo, agregando precisão, segurança e previsibilidade ao procedimento. A chamada prótese robótica do joelho refere-se à utilização de sistemas robóticos assistidos para planejamento, execução e controle da cirurgia de substituição articular. Diferentemente da técnica convencional, a robótica permite um mapeamento tridimensional do joelho do paciente antes e durante a cirurgia, possibilitando um alinhamento milimétrico dos componentes protéticos e uma personalização do procedimento de acordo com a anatomia individual de cada paciente. Entre os principais benefícios da cirurgia robótica, destacam-se: Maior precisão no posicionamento dos implantes , o que se traduz em melhor alinhamento, distribuição de cargas e menor desgaste da prótese ao longo dos anos. Preservação de tecidos moles , com cortes ósseos mais controlados e menor agressão às estruturas ao redor, o que favorece a recuperação pós-operatória. Redução da dor no pós-operatório , devido à menor inflamação e menor necessidade de liberação ligamentar extensiva. Retorno mais rápido às atividades , incluindo maior facilidade na reabilitação e melhora mais precoce da função. Maior previsibilidade dos resultados clínicos e funcionais , com menores taxas de complicações relacionadas a desalinhamento ou instabilidade. Além disso, a robótica permite que o cirurgião acompanhe em tempo real o impacto de cada ajuste, aumentando a segurança do procedimento e reduzindo variações técnicas. Estudos recentes indicam que pacientes submetidos à artroplastia robótica relatam maior satisfação e maior sensação de “joelho natural” no pós-operatório. Embora o custo inicial da tecnologia ainda seja superior ao da técnica convencional, o investimento tem se justificado pelos melhores desfechos, menor taxa de revisões cirúrgicas e melhora na experiência global do paciente. Em suma, a cirurgia robótica do joelho representa uma revolução na forma como a artroplastia é planejada e realizada. Trata-se de uma tecnologia que alia precisão cirúrgica à individualização do tratamento, oferecendo aos pacientes uma alternativa moderna, eficaz e mais segura para o manejo da artrose avançada do joelho.